Aprendizagem
APRENDIZAGEM
MARIA SALETE CORRÊA CARVALHO
A aprendizagem faz parte da natureza humana e todos nós gostamos de aprender algo que nos desafia, desde que nos sejam dadas condições necessárias para essa aprendizagem.
As crianças são intrinsicamente curiosas e principalmente durante a primeira infância, elas estão sempre abertas a aprenderem. Ao longo da vida vamos perdendo esse desejo, ficando desmotivados, desinteressados, pouco curiosos e criativos. Por quê? Compreender o significado mais profundo de aprender poderá ser a chave para esta questão! A aprendizagem perdeu seu significado básico no mundo contemporâneo e passou a ser sinônimo de "assimilar informações", o que tem uma remota conotação com o verdadeiro significado da palavra.
A verdadeira aprendizagem está intrinsicamente relacionada com o significado para o ser humano. Por seu intermédio nós recriamos, tornamo-nos capazes de fazer aquilo que não fazíamos antes, adquirindo uma nova visão do mundo e da nossa relação com ele, ampliamos nossa capacidade de fazer parte do processo gerativo da vida.
As organizações do futuro serão aquelas que descobrirem como despertar o empenho e a capacidade de aprender das pessoas. Tudo começa pela determinação dos objetivos, que em certo sentido é um contato que o professor /mediador faz com seus alunos. O professor que não especifica claramente seus objetivos educacionais, que não descreve da melhor maneira possível como pretende que a aquisição do conhecimento esteja após a instrução, está certamente levando injusta vantagem sobre o aluno.
O principal no processo de ensino é que a aprendizagem seja significativa, isto é, o material a ser aprendido precisa fazer algum sentido para o aluno. Isto acontece quando a nova informação interage com os conceitos relevantes já existentes na estrutura cognitiva do aprendiz.
Quando o material a ser aprendido não consegue ligar-se a algo já conhecido, ocorre a aprendizagem mecânica (AUSUBEL, 1978). Assim, a pessoa decora fôrmulas, leis, macetes para provas e esquece logo após a avaliação.
Para que a aprendizagem seja significativa é preciso haver duas condições:
a) O aluno precisa ter uma disposição para aprender, não apenas memorizar;
b) O material a ser aprendido deve ser potencialmente significativo. Cada aprendiz faz uma filtragem dos materiais que tem significado ou não para si próprio.
Acredito que a base de todo processo de transformação está na educação e só o papel humanizador do professor /mediador no ambiente que atua, resgatará o valor e a satisfação naquele que ao fazer, também se realizará enquanto pessoa.
A escola que não conseguir promover essas transformações, jamais criará ambiente organizacional, capaz de acolher alunos motivados. Trata-se de uma "revolução cultural" dentro das escolas que será alimentada pelos gestores, professores e pais presentes.
Nossos alunos são não-lineares, multimídios, audivisuais. A esses alunos não se ensina como se ensinava aos da geração da escrita e da linearidade. A estes cabiam silêncio, mobilidade, registro, memória e reprodução.
Os alunos de hoje tem nova maneira de raciocínio, fazem conexões entre conceitos já conhecidos, inserem novos saberes. Tem gosto pela pesquisa e a fazem, em casa, via Internet. A imagem faz parte de sua leitura. A compreensão e o significado têm nova dimensão. Estão aí os complicados Games que são jogados e resolvidos por eles com facilidade imensa.
E nós, professores, não podemos continuar a pensar a educação como pensavam nossos professores; oferecer aulas lineares, enfadonhas, mais próprias à reprodução.
A aprendizagem começa quando não reconhecemos mas, ao contrário, estranhamos, problematizamos.
ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM
A maior parte dos alunos sabe ou aprende como processar a informação e desenvolver uma estratégia ou plano organizado quando confrontado com um problema social acadêmico ou relacionado com um emprego. Contudo,outros consideram que este processo cognitivo é muito difícil. Leêm e releêm informação sobre este assunto mas não conseguem reter as idéias principais. Têm um bom vocabulário oral, mas os relatórios orais e escritos são simplistas e aborrecidos. Podem estudar durante horas para um teste, mas o resultado não vai de encontro com as suas expectativas nem à do professor.
Há um número crescente de investigadores, ELLIS et al, 1991; Harris, 1998; Pressley et al, 1989), a defender que uma das maiores diferenças entre os estudantes eficientes e os não eficientes é a sua compreensão e o uso de boas estratégias de aprendizagem. Dehsler e Lenz, 1989, definem uma estratégia como o "modo como o aluno aborda uma tarefa: inclui o modo como uma pessoa atua quando planifica, executa e avalia a realização de uma tarefa e os seus resultados".
Há um grande número de estudantes, muitas vezes designados "de risco", desmotivados, imaturos, com dificuldades de aprendizagem, que são deficientes no uso de estratégias.
No ensino de estratégias de aprendizagem, o enfoque principal reside no "como aprender" e não no o que aprender".
PRINCÍPIOS PARA ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM
A aprendizagem de estratégias é o conjunto de processos ou técnicas que se usam para realizar uma tarefa particular. São como um mapa de estradas que se usam para o processo do pensamento. Os modelos de estratégias visam substituir uma aprendizagem ineficiente e pouco efetiva por outras que levem ao sucesso e a um nível mais alto de realização.
Eis alguns princípios defendidos por especialistas (cf. Deshler and Schumacher, 1986; Swanson, 1989).
a)Exigir o envolvimento dos alunos. Este é provavelmente o aspecto mais importante da instrução de estratégias de aprendizagem. O objetivo fundamental é o de fazer com que o aluno veja como a estratégia o vai ajudar em problemas específicos.
b)Reconhecer e recompensar o esforço do aluno. Os alunos com problemas de aprendizagem têm uma história de insucesso. O professor deve ser sensível a isso e fazer um elogio ou dar um feedback positivo para realizações ainda que modestas.
c) Dar explicações diretas. Os professores devem realçar o processo cognitivo envolvido na aplicação de estratégias de aprendizagem. para que os alunos aprendam de uma estratégia particular, eles deverão usar imagens visuais, formular
hipóteses, ou relacionar a nova informação com conhecimentos anteriores. O professor deve demonstrar e encorajar estes processos cognitivos e metacognitivos.
ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR O DESEMPENHO GERAL
Há muitas estratégias ou competências que usamos para lidar com todos os aspectos da nossa vida. Ás vezes são referidas como competências da vida. Muitas vezes diferem entre o sucesso ou falta de sucesso no nosso desempenho. Infelizmente, muitos alunos com problemas acadêmicos, sociais e vocacionais têm dificuldade em adquirir e usar estas competências. O que se segue são estratégias para melhorar essas competências. Um exemplo que pode ser citado e a competência organizacional. É uma estratégia eficaz para promover boa organização consiste em usar uma representação visual daquilo que tem de ser realizado. Podem ser registros, agendas, códigos coloridos, notas indicadoras da atividade ou mesmo simples autocolantes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AUSUBEL, D., NOVAK, J. e HANESIAN, H. Educational Psychology: A
Cognitive Vieve. New Iork: Holt, Rinehast e Winston, 1978.
www.ufv.br/cdu 660/resteoausubel: Acesso em 30/04/2005.


